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Agronegócio acredita que 2012 será melhor que 2011

A 1ª Sondagem de Expectativas para o Agronegócio, divulgada hoje pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), aponta otimismo do setor para o ano de 2012: 67% dos entrevistados acham que o ano será melhor do que 2011.

A pesquisa foi feita há cerca de dez dias com uma amostra de 100 pessoas ligadas à cadeia do agronegócio, sendo 55% produtores, 25% consultores e 20% fornecedores de insumos e distribuidores.

O diretor técnico da SNA, Fernando Pimentel, disse que a manutenção dos preços e as condições de clima favoráveis para a safra de verão justificam o otimismo. “Salvo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, o sul de Mato Grosso do Sul e o oeste do Paraná, basicamente o Brasil, de uma maneira geral, está produzindo muito bem. Vai ser uma safra muito boa, embora com redução de soja e milho”, declarou. Ele ponderou, contudo, que os preços agrícolas estão se mantendo, permitindo que a renda no campo também se mantenha.

Pimentel lembrou que o governo federal já sinalizou a possibilidade de estender alguns benefícios, como renegociação e alongamento de dívidas. “Se você olhar no cômputo geral a safra brasileira, ela sinaliza um ambiente de otimismo, independentemente desses problemas de clima localizados”. Eles podem trazer preocupação par a safra de inverno de trigo, de aveia e milho segunda safra. “Mas, de maneira geral, os sinais são bem positivos”.

A infraestrutura e a logística de transporte e a comercialização são os principais obstáculos para o desenvolvimento do setor nacional, de acordo com 97% dos consultados. “Somos muito eficientes da porteira para dentro, mas nossa infraestrutura não acompanhou o ritmo de crescimento da produção”, avaliou o presidente da SNA, Antonio Alvarenga. Para ele, isso prejudica a competitividade do produto brasileiro no exterior e contribui para diminuir a renda dos produtores.

Um total de 71% dos representantes da cadeia do agronegócio brasileiro demonstrou preocupação também com o cenário internacional, em especial a Europa e China, para onde são destinados, respectivamente, 25% e 17% das exportações do setor nacional. Fernando Pimentel ressaltou que em função da crise mundial, poderá ocorrer problemas na oferta de recursos para a agricultura no Brasil, “principalmente nas linhas de financiamento à exportação”. Mas não será nada de grande envergadura porque as commodities agrícolas são essenciais, “principalmente as que o Brasil produz”.

Ele analisou que a crise vai afetar o ambiente de crédito e de consumo de bens de capital, “mas eu não vejo ninguém deixando de comer na Europa ou na China”. Pimentel destacou que mesmo na crise de 2008, o produtor brasileiro não sofreu reflexos negativos. Como a agricultura trata de bens essenciais, admitiu que poderá haver um pequeno recuo na curva de crescimento das exportações de alimentos brasileiros para a União Europeia ou China, mas assegurou que “não há como abrir mão dos insumos essenciais que o Brasil produz para a alimentação”.

Câmbio (80%), burocracia (82%) e juros (68%) também foram apontados na sondagem entre os obstáculos ao desenvolvimento do agronegócio, superando as tradicionais reclamações do setor, entre as quais falta de crédito e de apoio do governo. A pesquisa traz como novidade a crescente preocupação do setor com a falta de mão de obra qualificada, citada por 66% dos entrevistados.

 

Via Portal Exame

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Uso do biodigestor muda a vida de uma família de produtores rurais

A granja São Pedro se espalha por 250 hectares no município de São Miguel do Iguaçu, oeste do Paraná, onde José Carlos Colombari toca uma criação de 5,2 mil porcos com a ajuda do pai e do filho.

Com tantos animais na engorda, dar destino a esterco e urina sempre foi uma dor de cabeça para os criadores. Até alguns anos, a propriedade vivia cheia de moscas e o mau cheiro tomava conta.

A situação começou a mudar quando a família adotou o biodigestor. Atualmente, a granja conta com dois equipamentos. O biofertilizante é totalmente aproveitado no pasto da propriedade, onde Colombari mantém o rebanho de gado de corte.

O principal produto do biodigestor, o biogás, alimenta a mini-usina da granja. O gerador funciona ao longo do dia e a energia dos dejetos atende a todas as necessidades da granja e ainda sobra eletricidade, que é vendida para a rede.

O aproveitamento do biogás promoveu uma virada nas contas da granja. O produtor zerou a conta e luz e ainda recebe todo mês um valor aproximado de R$ 2,5 mil com a venda de eletricidade. Somando os ganhos, a redução do gasto com óleo diesel e a economia gerada pelo biofertilizante, os produtos do biodigestor estão trazendo melhoria de renda para a família na ordem de R$ 120 mil por ano.

Saindo do Paraná, uma fazenda em São Paulo também resolveu apostar no aproveitamento sustentável dos dejetos. O proprietário dispensa apresentação. O ator e pecuarista Tarcísio Meira tem um confinamento de bois, onde cria resultado de cruzamentos entre o zebu e raças europeias.

Tarcísio conta que o alimento do gado, preparado na fazenda, é uma mistura de vários ingredientes, como silagem de milho, polpa cítrica e farelo de soja. “A gente faz de tudo para economizar. Uma coisa que a gente fez que foi muito boa e está dando um retorno muito grande foi o biodigestor”, diz.

A propriedade conta com dois biodigestores grandes em atividade. As áreas irrigadas com o biofertilizante são destinadas ao cultivo de milho, que serve para fazer a silagem para o gado. Com isso, a propriedade reduziu os gastos com adubo e a lavoura ficou mais produtiva. Para aproveitar o biogás que sai dos biodigestores, Tarcísio também montou uma mini-usina. “O gerador é suficiente para tocar toda a energia, inclusive nos momentos de pico”, explica.

Tarcísio lembra que outra vantagem ecológica é que, ao gerar energia, a usina destrói toneladas do principal componente do biogás, o metano, um gás poluente e que contribui para elevação da temperatura da Terra, o chamado aquecimento global.

Segundo ele, apostar no aproveitamento sustentável dos dejetos foi uma decisão acertada. A mudança garantiu redução de custos e vantagens para o meio ambiente.

 

Via Portal G1

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Um caminhão de dinheiro

Durante décadas, os caminhoneiros foram remunerados por seu trabalho de uma maneira artesanal, ineficiente e cara. A forma de pagamento eram as cartas-frete que foram proibidas pela Associação Nacional do Transporte Terrestre (ANTT) no dia 23 de janeiro. Essa proibição – um pleito antigo dos representantes da categoria – abre um mercado de R$ 90 bilhões para as administradoras de cartão de crédito e para o sistema financeiro como um todo. Era uma batalha do segmento que tentava formalizar cerca de 800 mil caminhoneiros e retirá-los de uma situação de subserviência às transportadoras e postos de combustível. A carta-frete é um papel assinado pela contratante – uma transportadora – que representa o adiantamento das despesas do frete e o pagamento do motorista.

Cabe ao autônomo conseguir trocar esse papel por dinheiro, combustível ou por outro produto que será necessário ao longo da viagem. O problema é que essa troca só pode ser realizada em um posto que aceite a permuta – cobrando uma taxa de desconto elevada na maior parte das vezes. Esse sistema não só era ineficiente como também injusto. “O caminhoneiro só poderia abastecer em determinados locais, não podia procurar os melhores preços e tinha de depender da boa vontade do posto para receber seu adiantamento”, diz Ricardo Miranda, presidente da Pamcary, empresa que oferece soluções e meios de pagamento em logística. Segundo a União Nacional dos Caminhoneiros do Brasil, o deságio para o troco em dinheiro poderia chegar a 30% do pagamento total.

Miranda faz um cálculo mais modesto e estima o deságio em 15%, ainda assim uma conta salgada para o motorista. “A carta-frete desmoralizava o caminhoneiro”, diz Miranda. Estudos jurídicos dos advogados Ives Gandra Martins e Modesto Carvalhosa, de São Paulo, indicavam que a carta-frete gerava uma situação de quase escravidão para os profissionais da estrada. A resolução da ANTT define que, a partir de agora, os autônomos deverão ser remunerados por meio de cartões pré-pagos ou pelo depósito na conta-corrente. O não cumprimento dessa medida sujeita a transportadora a uma multa equivalente a 100% do valor do frete, limitado a R$ 10.500. Com o fim da carta-frete as administradoras de cartão querem uma fatia desse bolo apetitoso. Visa, Mastercard e bandeiras menores já criaram seus produtos.
Diferentemente de outros cartões pré-pagos, os destinados aos caminhoneiros não têm um uso específico. Eles são aceitos em qualquer estabelecimento conveniado à bandeira do cartão e também podem ser usados para sacar dinheiro nos caixas automáticos dos bancos parceiros. O cartão pré-pago, em geral, é recarregado pela empresa contratante ao longo da viagem do caminhoneiro, à medida que o trajeto vai sendo registrado nos pedágios. Também é permitido ao motorista  proporcionar um cartão adicional a um membro da família. “Isso facilita a vida da esposa do caminhoneiro, que tinha que esperar o retorno dele para poder ter dinheiro em casa”, afirma Rubén Osta, diretor-geral da Visa. A Visa espera conquistar a maior fatia desse mercado já no primeiro ano de atividade.
Para isso, fechou parceria com três das seis administradoras de meios de pagamento habilitadas pela ANTT para intermediar os contratos de trabalho: Repom, Pamcary e DBTrans. “A inclusão do caminhoneiro no sistema financeiro também permitirá que ele se interesse em usar nosso produto em hotéis, alimentação dentro e fora de casa, etc. É um universo de dinheiro difícil de mensurar hoje”, diz Osta. Outras bandeiras estão aquecendo seus motores para acelerar nesse mercado. A Mastercard fechou uma parceria com a Ticket e está em negociação com outras administradoras a serem credenciadas pela ANTT. “Apostamos no crescimento de pré-pago em todos os setores”, diz Alexandre Magnani, vice-presidente de novos negócios da Mastercard Cone Sul.
Segundo estimativa da empresa, o mercado de pré-pagos pode chegar a US$ 81 bilhões na América Latina em 2017. No ano passado, movimentou R$ 12 bilhões. No entanto, não são apenas as bandeiras do primeiro time que querem conquistar a simpatia e a adesão dos irmãos das estradas. A administradora de cartões independente Policard, de Minas Gerais, já contabiliza 100 transportadoras cadastradas e outros 300 contratos pendentes para começar a operar nos próximos meses. “Temos 50 mil estabelecimentos de todos os portes cadastrados em todo o País, desde grandes redes de supermercado até pequenas padarias”, diz Luciano Penha, vice-presidente da Policard. O motorista autônomo que utilizar o cartão da administradora poderá também sacar dinheiro nos estabelecimentos que aceitam a bandeira.
A empresa também está fechando parceria com um banco para ampliar a rede de saques, mas não adiantou qual. “Nossa meta para o primeiro ano de atividade é movimentar R$ 2 bilhões com esse cartão”, diz Penha. Os benefícios do fim da carta-frete não se limitam a ampliar o mercado para as administradoras de meios de pagamento eletrônicos. Segundo estimativas do setor, há 1,43 milhão de caminhoneiros cadastrados em atividade no Brasil, dos quais 56% ou 800 mil são autônomos. Essa estimativa deve ser vista com cautela. “Só saberemos com certeza o tamanho do mercado quando houver a formalização da atividade”, diz Noboru Ofugi, superintendente de serviços de transporte de cargas da ANTT. Isso permitirá a criação de outros benefícios. Além de inserir 500 mil novos consumidores no sistema financeiro, o fim da carta-frete vai permitir, em um futuro breve, o acesso ao crédito.
“Esses trabalhadores poderão financiar a compra de novos caminhões”, diz Osta, da Visa. A frota de autônomos tem em média 19,1 anos, segundo a ANTT. “Os projetos do governo para renovação de frota de caminhões brasileira até então não davam certo porque o autônomo não podia comprovar renda”, diz Miranda, da Pamcary. Com a regulamentação da atividade, será mais fácil a compra de caminhões por meio do programa Procaminhoneiro, que prevê juros de 4,5% ao ano e prazo de financiamento de até 96 meses. “Havia várias iniciativas para tentar formalizar esse mercado, mas apenas com a exigência da lei teremos controle efetivo de quem são os caminhoneiros e quanto eles movimentam para a economia do País”, afirma Ofugi.
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Ensino superior mais próximo das empresas

Um dos maiores desafios do Brasil tem sido investir em inovação. Como existe um consenso no mercado de que grandes ideias nascem em pequenos negócios, aproximar empreendedores criativos dos centros de pesquisa e do desenvolvimento nas universidades tornou-se fundamental para ampliar o arsenal inovador.

Um dos caminhos para fazer isso é entrar em contato com os escritórios de inovação mantidos pelas instituições de ensino. Henrique Bastos, professor de estratégia e inovação do Insper, explica que as universidades criaram departamentos justamente para ampliar o conhecimento desenvolvido pelos pesquisadores acadêmicos e ajudar a transferir a tecnologia para o dia a dia.

Entretanto, o grande desafio, na visão do docente, está em encontrar pesquisadores capazes de entender a relação entre sua pesquisa e o mercado, ou seja, sobre o modo como suas ideias podem impactar nos meios produtivos tornando-os mais competitivos.

“As universidades estão abrindo suas portas, estão mais receptivas, então cabe ao empreendedor aproveitar esse movimento”, avalia Bastos.

Crédito para pesquisa

As fontes de financiamento também impactam diretamente no grau de inovação das empresas. Como inovar implica em alto risco e muitos negócios não possuem garantias reais e tem dificuldade em entender todas as exigências burocráticas na hora de buscar recursos nos bancos e no governo, muitos empresários acabam deixando de lado a inovação para se concentrarem em atividades com retorno financeiro rápido.

Segundo Bastos, uma tendência nesse sentido são os financiamentos privados para centros de pesquisa universitários. São parcerias que levam em conta o desenvolvimento de novas tecnologias, desde que o pesquisador tenha muita cautela nesse processo, não deixando os recursos implicarem diretamente em um “conflito de interesses” entre a empresa e a universidade.

“O pesquisador nunca pode se esquecer de sua independência científica”, alerta Bastos. Esse compromisso dos pesquisadores em gerar resultado está ampliando o percentual de doutores no Brasil, principalmente nas áreas de Tecnologia da Informação (TI), setor que apresenta a maior dificuldade em encontrar profissionais qualificados.

“A falta de mão-de-obra qualificada em negócios altamente tecnológicos trava o desenvolvimento dessas empresas”, diz Bastos. Para o professor, um dos caminhos para minimizar os efeitos negativos é o das empresas se abrirem receber a colaboração de outras pessoas em seus processos inovadores, conhecido como o processo de Inovação Aberta, termo oriundo do inglês “Open Innovation” que significa a troca de patentes na busca por uma inovação que favorecerá setores econômicos inteiros e não apenas uma companhia.

Outro fator colaborativo para o crescimento dos processos inovadores no Brasil, de acordo com Bastos, são os recentes marcos regulatórios do poder público. “Mas os empreendedores ainda estão aprendendo como pedir e utilizar esses recursos. A burocracia ainda é um traço cultural muito forte por aqui e isso dificulta o acesso ao dinheiro”, pondera Bastos.

 

 

Via Portal HSM

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Por que o marketing verde não convence

Você acredita em tudo que se diz sustentável e ecologicamente correto por aí? Se sua resposta for “não”, bem vido ao clube da imensa maioria de descrentes do marketing verde. Pesquisas feitas no Brasil e no mundo já mostraram que mais de 80% das pessoas desconfiam que as empresas cumpram as ações de responsabilidade socioambiental que anunciam em suas propagandas.

O que deu errado? Especialista no assunto, Giles Gibbons, cofundador e CEO da britânica Good Business, uma das consultorias líderes em responsabilidade empresarial, tem a crítica na ponta da língua. “Não é só porque uma companhia abraça inciativas verdes, que deve sair contando para todo mundo. É preciso uma comunicação mais sofisticada, que converse com as necessidades do consumidor.”, diz. Em passagem pelo Brasil “para conhecer o mercado”, Gibbons, que possui clientes como Fiat e Microsoft, falou à EXAME.com sobre o desafio de comunicar a sustentabilidade e, principalmente, de conquistar o público.

EXAME.com – O senhor é autor de um livro que leva o mesmo nome da consultoria, Good Business. Qual a sua definição de um bom negócio?

Gibbons – A resposta é simples. Se você quer mudar o mundo, então faça-o através dos negócios. Se você quiser ajudar o seu negócio, então ajude a mudar o mundo. As empresas têm o poder de gerar mudanças sociais positivas pela forma como se comunicam. Se você quer evitar que um adolescente não fume, é mais fácil convencê-lo através de uma propaganda da Nike, do que por uma ONG ou pelo Ministério da Saúde dizendo “Ei, não fume”. O objetivo é mostrar como o uso de ferramentas sociais e ambientais ajudam os empresários a criarem negócios responsáveis, lucrativos e competitivos.

EXAME.com – Qual o papel da sustentabilidade aí?

Gibbons - Um bom negócio tem a responsabilidade socioambiental como estratégia. Mas falar de sustentabilidade nem sempre é fácil. Certa vez, almoçando num restaurante, conversei com o chef sobre sustentabilidade. Ele entendeu o conceito do ponto de vista do alimento, de garantir a qualidade do produto desde a origem. Mas não há sentido nisso se a gestão da cozinha for descontrolada, com desperdício de gás e luz, e se o faxineiro receber uma ninharia no final do mês. Isso não é fazer um bom negócio. Se eu lhe disser como toco meu negócio, será que você vai gostar? A sustentabilidade deve ser vista como uma forma de gerenciar o negócio, não como um setor ou ação isolados.

EXAME.com – Cada vez mais, as marcas querem convencer o consumidor a respeito de suas credenciais verdes. Mas as pessoas estão mais desconfiadas…

Gibbons – Por isso sempre digo “esqueça o verde, pense na informação”. A má comunicação cria ceticismo no consumidor. A sustentabilidade não deve ser vista como um canal de comunicação, porque ela não é isso, é sim uma forma de gerir o negócio com reponsabilidade. Muito do discurso da sustentabilidade acontece no plano acadêmico e teórico e o consumidor não quer saber disso, porque não muda a realidade dele. Quando uma empresa me passa uma informação que não me interessa, eu me pergunto por que essa empresa está dizendo isso. A dica é: Não diga às pessoas o que elas não querem ouvir, ache uma forma dizer o que é importante para sua empresa de maneira que interesse o consumidor. Se você só empurra informação, aumenta o comportamento cético.

EXAME.com – Lembra algum exemplo positivo?

Gibbons – A Fiat tem uma campanha que mostra ao motorista que, com medidas simples, como checar o pneu, é possível otimizar a direção do carro, gastar menos com combustível e evitar multas por poluição. Eles não vendem o veículo por um ponto de vista sustentável, e, sim, pela eficiência energética e pelo benefício econômico.

Outro exemplo é uma ação da Procter & Gamble para o sabão em pó Ariel. Fizeram uma campanha dizendo que, com o novo produto, não era mais necessário lavar a roupa com água muito quente, que de tão poderoso, Ariel lavava roupa com água morna. Essa era a primeira mensagem. A segunda mensagem era do benefício ambiental, de que dispensar água quente, Ariel usava menos energia. Neste caso, o Marketing achou um jeito de comunicar a ação verde da companhia de um ponto vista que interessasse ao consumidor.

EXAME.com – Então, para conquistar de verdade o consumidor, é preciso vender mais do que o “verde”?

Gibbons – Certamente, atender as necessidades do consumidor é mais eficaz do que dizer “Olha como somos ótimos e nos preocupamos com o meio ambiente”. Há muitos negócios fazendo muita coisa bacana mas comunicando pouco, muitos não fazendo nada mas falando muito e alguns fazendo muito, falando bem, e colhendo benefícios.

Nos dois primeiros casos, programas de sustentabilidade e de CSR (sigla em inglês para Responsabilidade Social Corporativa) são usados como ferramentas de comunicação, quando em verdade são ferramentas de gerenciamento, que ajudam as organizações a medir seu impacto social e ambiental. Não é só porque uma companhia desenvolve iniciativas verdes, que deve comunicá-las aos consumidores. Isso não deve ser automático, só porque foi feito, precisa ser dito. A sustentabilidade não é um fim em si, é um continuum.

Via Portal EXAME

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Energia Renovável: Como anda o uso dessa tecnologia no Brasil

Investir em fontes renováveis de energia pode gerar ganhos dos mais diversos para as empresas: desde a redução de custos até o desenvolvimento de uma cultura de sustentabilidade com forte apelo de marketing. Para pequenas empresas, pode auxiliar a reduzir custos em processos ou rotinas específicas.

Conforme relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o uso dessa energia concentra-se em regiões mais isoladas do país, como o Norte e o Nordeste, por apresentar-se como uma alternativa para o aquecimento da água e à falta de energia elétrica das usinas.

Já como matriz energética sustentável, a energia solar em comparação à energia eólica conta com grandes investimentos na região Sul e a vem sendo utilizada por pequenos negócios como uma solução criativa para economizar custos e reduzir passivos ambientais.

Barreiras ainda são grandes

Uma das restrições técnicas à difusão de projetos de aproveitamento de energia solar
é o alto custo de instalação dos painéis fotovoltaicos que captam o calor solar para transformar em energia, tanto do equipamento quanto a mão-de-obra especializada para a instalação, ainda incipiente no País.

Para Mauro Passos, presidente do Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas da América Latina (Ideal) o alto custo de implantação e a falta de incentivo do governo para disseminar esse tipo de energia também dificultam a implementação do sistema.

Por isso, a Aneel começou esse ano a sinalizar que deverá promover leilões energéticos na mesma linha do que acontece hoje com a energia eólica – que já aparece no balanço de consumo com um percentual pequeno, de 0,4%.

Pequena empresa

Embora falta muito para a energia solar ser considerada matriz energética, pequenas iniciativas podem auxiliar custos e manutenção em pequenas empresas e negócios.

Especialistas afirmam que o uso de equipamentos de captação de energia solar pode gerar economia como complemento no consumo elétrico em pequenos empreendimentos. Nesse caso, alguns passos devem ser observados:

•    Determine o consumo energético do empreendimento;
•    Decida onde a energia gerada a partir da luz solar será empregada. Muitas vezes ela pode gerar economias ao substituir sistemas de aquecimento de água, ou mesmo atender à demanda elétrica de processos ou aparelhos específicos;
•    Contrate mão-de-obra especializada para a instalação de painéis e equipamentos;
•    Verifique a legislação vigente a respeito desse tipo de instalação; muitos municípios possuem normas específicas;
•    Direcione as células solares para o gerador, para que a energia possa ser distribuída no sistema;
•    Faça medições e relatórios constantes, para verificar a eficiência do uso e analisar ganhos de custo e eficiência.

 

Via Portal HSM

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A Propriedade da Terra no Agronegócio

Qual é o papel da propriedade da terra no desempenho do agronegócio brasileiro? O tema tem interesse para a formulação de políticas públicas de regularização fundiária e reforma agrária, tributação de produtores e empresas agropecuárias e regulação da aquisição de terras por estrangeiros. Por outro lado, o assunto afeta as estratégias privadas na análise de viabilidade de novos projetos agropecuários, na formação de portfólios de investimento e nas estratégias de aumento da escala de produção dos agricultores.

Neste artigo pretende-se analisar alguns fatores que influenciam a distribuição desse ativo entre os agentes do setor ou entre as atividades agropecuárias. Serão focalizados os seguintes aspectos: (1) o mercado de terras para produção agropecuária, (2) a terra como reserva de valor e (3) a terra como fator de produção. Com isso espera-se esclarecer qual a posição atual e as perspectivas desse ativo no setor, dados os desafios de aumento da produção e eficiência do agronegócio brasileiro para atender a demanda dos mercados doméstico e global.
O mercado de terras é formado pelas propriedades existentes ou criadas com novas delimitações, seus proprietários e os potenciais compradores. A formação de preços de terra envolve as condições institucionais de regularização dos títulos de propriedade na região, a infra-estrutura de transportes e comunicações, a distância dos centros consumidores e a aptidão para atividades agropecuárias. Pode-se considerar que, em uma determinada região, onde os fatores geográficos, institucionais e de mercado estão dados, o que define o preço de uma propriedade à venda é a conjuntura atual e perspectivas futuras da principal cultura das propriedades vizinhas. Neste caso, o preço reflete a renda esperada para o futuro empreendedor que adote a atividade econômica predominante.
A correlação positiva entre o preço da terra e a cotação do produto a ser obtido com o seu uso produz uma situação de extrema volatilidade, característica dos mercados de commodities. Com isso, a avaliação dos projetos agropecuários novos ou de expansão da escala em propriedades existentes torna-se mais difícil, tendo em vista o aumento dos riscos envolvidos. Se o valor da terra apresenta uma grande amplitude de variação, a viabilidade econômica de um novo projeto agropecuário que inclua a aquisição da terra torna-se mais incerta. Outra conseqüência é a possibilidade de especulação por parte de proprietários ou intermediários, que podem estabelecer preços superiores à média histórica. Isto pode ocorrer em conjunturas excepcionais de altas cotações da commodity nos mercados internacionais, muitas vezes provocados por mudanças de posições de investidores sem base nas condições de oferta e demanda.
A incorporação do risco do mercado de terras por parte do agricultor em suas decisões de investimento pode prejudicar o resultado de sua atividade, seja por um sub-investimento resultante da alta dos preços da terra ou por uma imobilização excessiva de capital neste ativo, se os preços estiverem muito depreciados. Assim, é necessário compartilhar esse risco com outros agentes. Isto poderia ser obtido com instrumentos que permitam a separação entre a propriedade e a gestão dos empreendimentos, como a obtida no mercado de ações.
Outro fator que afeta o mercado de terras é a demanda de compra de investidores estrangeiros ou nacionais decorrentes de variações no câmbio ou juros pagos por títulos públicos. Em situações de quedas de juros, os ativos reais podem se tornar atrativos como investimentos, provocando movimentos de alta de preços em imóveis urbanos e rurais, o que configura as chamadas “bolhas imobiliárias”. Atualmente o Brasil passa por um processo similar com o aumento dos preços dos terrenos e imóveis urbanos, tendo em vista o crescimento da oferta de crédito imobiliário. Existem dúvidas se o movimento é uma bolha, visto que o aumento de preços está apoiado em uma demanda reprimida por imóveis que começa a ser atendida. A alta demanda por terrenos urbanos pode estar afetando o mercado de imóveis rurais em regiões com maior densidade populacional, elevando os preços das terras para a agropecuária.
O uso da terra como reserva de valor tem um longo histórico no agronegócio e no setor imobiliário. Trata-se de um investimento de baixa liquidez, rentabilidade incerta e custos consideráveis de administração (impostos, segurança etc), se for realizado por meio de aquisição direta de uma área para posterior revenda. As aplicações em títulos públicos representam o custo de oportunidade para o investimento em terras, sendo que nas últimas décadas as aplicações de renda fixa têm oferecido uma combinação de risco/retorno excepcional no Brasil. Essas condições tornam o investimento em terras pouco atrativo, além de bloquear a criação de novos empreendimentos agropecuários nas áreas adquiridas para especulação.
A terra como fator de produção parece ser o enfoque correto para se avaliar a contribuição desse ativo no agronegócio, seja no nível das propriedades ou do setor de forma agregada. Neste sentido, a terra representa uma imobilização de capital que deve fazer sentido em uma determinada atividade agropecuária ou agroindustrial. A realização de um investimento para um novo projeto agropecuário deve considerar a viabilidade de se adquirir a propriedade em que ele será implantado.
Atualmente, para se calcular o custo de oportunidade da aquisição de terras nas regiões Sudeste e Centro-Oeste deve-se considerar não somente os juros pagos por títulos públicos, mas a renda que determinada área pode gerar por meio de um arrendamento a usinas sucroalcooleiras para a produção de cana-de-açúcar. Este mecanismo tem sido utilizado de forma extensiva por essas empresas, como forma de garantir o fornecimento de matéria prima e evitar uma imobilização excessiva de capital em terras. Neste mercado, o proprietário de uma área apta para a cultura pode obter uma renda fixa sem riscos por meio deste tipo de arrendamento. Neste sentido, a avaliação de um novo projeto agropecuário envolve, entre outros fatores, a comparação entre os resultados esperados do empreendimento com aqueles que seriam obtidos com o arrendamento da área para cana-de-açúcar.
Uma das alternativas para o compartilhamento dos riscos de investimentos em imóveis em franca expansão no Brasil é o fundo imobiliário. Trata-se de uma forma de captação de recursos para a incorporação e construção de imóveis, principalmente para aqueles direcionados para atividades empresariais ou de locação comercial. Esses fundos permitem que os cotistas sejam remunerados pelas rendas obtidas com o aluguel do imóvel em contratos de longo prazo e também pela valorização do imóvel, por mudanças de infra-estrutura da região ou aumento da demanda. A aplicação possui vantagens tributárias em relação aos fundos de investimento e as cotas podem ser negociadas em bolsas de valores, gerando uma liquidez superior ao investimento direto em imóveis.
Aparentemente, existe um enorme potencial para a criação de fundos imobiliários específicos para empreendimentos agropecuários ou agroindustriais. Neste caso, um agente financeiro e um incorporador fariam a captação de recursos para a aquisição da terra para o empreendimento. O fundo seria proprietário do imóvel, que seria alugado para a empresa responsável pelas atividades agropecuárias e agroindustriais do empreendimento. Da mesma forma que ocorre com os fundos de imóveis urbanos, os cotistas seriam remunerados pelo aluguel e pela valorização da área.
Para que os fundos imobiliários possam ser utilizados no agronegócio, é necessário que os empreendimentos sejam conduzidos por empresas e não por pessoas físicas (produtores), como ocorre na maioria das propriedades rurais do Brasil. Esta condição facilita a captação de linhas de financiamento de bens de capital para o empreendimento e oferece maior transparência aos stakeholders pela exigência da apresentação de balanços. O ideal é que a empresa seja de capital aberto com ações listadas em bolsas, para favorecer o acompanhamento dos cotistas do fundo imobiliário que tem contrato com ela.
A utilização dos fundos imobiliários permitiria o compartilhamento dos riscos de aquisição de imóveis rurais entre os cotistas, com maior transparência para a formação de preços e mecanismos de saída disponível pela negociação em bolsa. Com isso, as empresas agropecuárias e agroindústrias poderiam utilizar seus recursos somente na atividade fim, sem a necessidade de imobilizar capital em terra. Trata-se de um instrumento financeiro que pode oferecer uma contribuição relevante ao agronegócio brasileiro, por permitir uma utilização mais eficiente dos ativos dos agentes envolvidos.
A difusão da adoção desses fundos no setor poderia ser incentivada por políticas públicas específicas. Cabe ao governo analisar o produto e verificar a necessidade de alguma regulamentação específica aos fundos imobiliários para o agronegócio. Em seguida, poderiam ser realizadas ações de fomento como a criação de fundos por instituições financeiras públicas ligadas ao agronegócio, ou o aporte de recursos do BNDES em fundos com essa característica, como forma de demonstrar a viabilidade para os investidores privados. O setor financeiro brasileiro, particularmente o segmento de bancos de investimento, poderá responder com a oferta de produtos com esse perfil, desde que sejam oferecidas condições de segurança jurídica e clareza nas regras para a operação do produto. Com isso, a propriedade da terra no agronegócio passaria por uma mudança revolucionária no Brasil, contribuindo para a liberação de recursos necessários para o aumento da produção e da produtividade.
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A categoria dos agricultores está pagando o pato, pelas culpas de todos nós

Sem entrar em nenhum mérito da lei do código florestal, a vigente ou a nova. E também sem a insanidade de achar que não devemos proteger o meio ambiente, o ser humano e o capitalismo compartilhado, sustentável e ético, dentro das possibilidades vigentes dos seres humanos. Mas, ao “auscultar” as afirmações, entrevistas, declarações, manifestações de segmentos formadores de opinião da sociedade; tanto a urbana quanto parte da rural; na defesa do rigor na preservação ambiental, fica a total sensação e percepção de que temos de um lado os “mocinhos”, e do outro- os escolhidos para serem os “vilões ” e os “bandidos” são os produtores agropecuários. Quem em sã consciência poderia ser contra as árvores, os riachos, os rios, a luta contra o aquecimento global? Ninguém. Mas, quem disse que a mosca desse alvo, o “target” deve ser o agricultor, como generalização de toda a categoria?  Por que celebridades e nomes de respeito nas suas áreas e profissões apontam suas vozes , com as dores nas consciencias, a de todos nós; da forma com a qual – ao longo de milênios temos vivido às custas da mãe natureza? E, não só da mãe natureza, mas com escravidão organizada, com a fé religiosa pouco cristã, com o poder tecnológico das armas, com a radioatividade de Hiroshima e Nagasaki, parando por aí. Além dos hiperpoderes contemporâneos da fome do consumo, da fama, e de um gigantesco desperdício, onde cerca de 30% da comida do mundo é jogada no lixo, ao longo do seu caminho – do campo à mesa, por irresponsabilidade das estruturas e ambição de mesas e moda megafartas ?

Se os agricultores viram “bodes expiatórios”, numa insensatez generalizada, alavancada pela culpa ancestral que carregamos no nosso código genético, como raça humana em grande parte predadadora; isso é de uma profunda injustiça e de uma ilegalidade ética descomunal. Se existe uma culpa única que possa ser atribuiída aos produtores agropecuários, é o de estarem sendo muito mal defendidos, mal representados, e sem a inteligencia causídica de nobres talentos que advoguem com humanismo e emoção suas causas, carregadas de razão – pelo menos a não generalizante do “cordeiro de Deus, que lava os pecados do mundo”. Toda e qualquer generalização parte de um principio não humanista e tem raiz fascista. A sociedade e seus agentes notáveis podem e devemos todos sim proteger e defender nosso amado planeta Terra. Porém é “ignóbil ” fazer isso com o dedo indicador apontado para a classe dos agricultores. Vale lembrar que, quando nosso braço está esticado e o dedo indicador fulminando o outro à frente , três dos demais dedos apontam para trás, e o polegar para o céu. Os agricultores brasileiros precisam de respeito e admiração, assim como os carteiros, os bombeiros, os professores, os ecologistas, os jornalistas, os atores, as atrizes… assim como você… O culpado raramente está lá: costuma estar aqui, do lado de cá… todos nós. O que vale mais, automóveis na garagem e no desfile dos egos, movidos ao petróleo derramado e nada sustentável, ou mais de 1 bilhão de agricultores no mundo todo, mantendo a cobertura verde na transformação da fotossíntese ?

José Luiz Tejon é publicitário, jornalista, autor e co-autor de 27 livros, como “O vôo do cisne”,” e “Luxo for all”. Diretor Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico para Agricultura Sustentável – CCAS – http://www.agriculturasustentavel.org.br

Sobre o CCAS

O CCAS (Conselho Científico para Agricultura Sustentável) é uma entidade sem fins lucrativos, criada em abril de 2011, com a proposta de defender e apoiar a prática da agricultura sustentável. O Conselho é formado por 13 profissionais multissetoriais, com carreiras inteiras dedicadas ao agronegócio.

A criação da entidade traduz o desejo de grandes nomes do agronegócio brasileiro de mostrar à população como é possível pautar o futuro da agricultura nacional com ações sustentáveis. O CCAS tem como proposta servir como referência para discussões econômicas, sociais e ambientais relativas à sustentabilidade da agricultura. Cientes da potência brasileira no setor, os conselheiros visam enriquecer as discussões sobre o tema, combinando ciência, tecnologia e responsabilidade ambiental.

 

Via Portal do Agronegócio

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Cooperativas de sucesso no agronegócio mundial

Em 2012 o mundo celebra o Ano Internacional das Cooperativas. Desde o advento da agricultura, o homem aprendeu trabalhar em grupo e a desenvolver vários arranjos organizacionais para facilitar a ação coletiva. Dentre esses arranjos, as cooperativas de produtores agropecuários desempenham um importante papel econômico e social no agronegócio.

Segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) de 2010, as 1.548 cooperativas do ramo agropecuário possuem 943 mil produtores associados e geram 146 mil empregos diretos. Essas cooperativas atuam no desenvolvimento e disseminação de novas tecnologias aos produtores (muitas vezes de graça); fornecem  insumosInsumos: O mesmo que fatores de produção. Um insumo é um componente que é usado na atividade econômica para a produção de um bem ou serviço. Ex.: terra, trabalho, e capital. Inventário Brasileiro de Emissões de GEE  aos produtores a preços competitivos (pois compram em volume); financiam a produção com linhas de crédito de custeio, investimento e comercialização; prestam serviços de gestão de riscos aos produtores; organizam a comercialização de  commoditiesCommodities: Produtos padronizados e não-diferenciados, cujos preços são normalmente formados em bolsas de mercadorias do próprio país ou no exterior. Como os preços das commodities são majoritariamente fixados pelo mercado (fácil arbitragem nas bolsas de mercadorias), um produtor individual tem pouco ou nenhum controle sobre esta variável, o que torna a “liderança em custos” a sua principal estratégia competitiva. Os principais fatores de sucesso dos produtores de commodities são a exploração de economias de escala e escopo, os ganhos de produtividade, a racionalização dos processos produtivos, o acesso aos recursos naturais (jazidas de minerais, disponibilidade de terras férteis e água, etc.), as condições da infra-estrutura e logística, entre outros. Diversos tipos de produtos semi-processados e processados que têm origem na produção agropecuária ou nas atividades de mineração são também classificados como commodities. Exemplos de commodities brutas de origem agropecuária são: algodão, amendoim, cereais (arroz, milho, trigo, cevada), oleaginosas, bananas, borracha, cacau, café, madeira cortada, entre outros. Na área mineral, são commodities brutas tradicionais o carvão, o gás natural, o minério de ferro e o petróleo. As commodities processadas são aquelas que contam com algum grau de processamento industrial, destinadas ao consumidor final ou para uso em outros segmentos industriais. Exemplos de commodities processadas de origem agrícola e mineral são: arroz beneficiado, farelos em geral, óleo de soja, açúcar, fios de algodão, carnes em geral, madeira, celulose, suco de laranja concentrado e congelado, produtos do refino do petróleo, alumínio, etc.  tanto no mercado doméstico quanto para exportação; e também responsabilizam-se pelo processamento de produtos agro-alimentares. Em outras palavras, as cooperativas têm papel fundamental na segurança alimentar, na produção e distribuição de alimentos a preços competitivos e na inserção internacional do agronegócio brasileiro. Uma vez que 67% de seus associados são produtores com áreas menores de 50 hectares, as cooperativas são extremamente importantes para o aumento da eficiência e para a inserção da agricultura familiar aos mercados.

Apesar de sua longa história, foi somente em 1844 que os pioneiros de Rochdale formalizaram um conjunto de princípios que norteou o desenvolvimento de cooperativas em vários setores da economia. Esses princípios foram adotados pela Aliança Cooperativa Internacional em 1937 e também serviram de modelo para a lei federal 5.764 de 1971, que serve de arcabouço jurídico para a organização e funcionamento de todas as cooperativas no Brasil.

Em seu mais recente livro, “The Origins of Political Order”, Francis Fukuyama argumenta que “the conservatism of societies with regard to rules is a source of political decay. Rules or institutions created in response too a set of environmental circumstances become dysfunctional under later conditions, but they cannot be changed due to people’s heavy emotional investments in them” (p. 45). Aplicando o argumento de Fukuyama para as cooperativas, a questão que se coloca é: os princípios de Rochdale ainda são relevantes no mundo atual?

Desde 1996 tive a oportunidade de interagir com lideranças de diversas cooperativas agropecuárias e de crédito no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália, Nova Zelândia, Índia, Coréia do Sul e China. Observei de perto a falência da Farmland em 2001, então a maior cooperativa agrícola dos EUA, além da conversão de diversas cooperativas em S/As como a Dairy Farmers na Austrália e a Diamond Foods nos EUA. Mas também pude acompanhar o desenvolvimento de várias cooperativas de sucesso, tais como a Fonterra, uma cooperativa de produtores de leite da Nova Zelândia que atualmente controla 40% do comércio mundial de produtos lácteos. Também trabalhei com as lideranças da CHS, a maior cooperativa dos EUA que também atua na Argentina, Brasil, Europa, Rússia e Ucrânia.

O que separa as cooperativas de sucesso das cooperativas que fracassaram? Apresento de forma sucinta algumas características comuns às cooperativas que continuam a crescer e a integrar seus produtores associados ao agronegócio mundial.

Escala e eficiência: Nos países onde as cooperativas possuem relevante participação de mercado, observa-se a consolidação do setor por meio de fusões e incorporações. Este processo criou cooperativas de grande escala que competem diretamente com as corporações multinacionais que atuam no agronegócio. Mudanças no ambiente competitivo forçam as cooperativas a buscar ganhos de eficiência operacional e economias de escala a fim de não perder relevância no mercado. Além da consolidação, as cooperativas de sucesso buscam ganhos de eficiência e competitividade por meio de alianças estratégicas com outras cooperativas ou mesmo com S/As.

Gestão profissional e governança: Uma característica comum às cooperativas de sucesso é a completa separação entre propriedade e gestão. Ou seja, os proprietários da cooperativa, seus produtores associados, não participam diretamente da gestão da organização cooperativa. Através de voto e mecanismos de representação, os associados elegem representantes que formam o conselho de administração. O conselho exerce as funções de delinear a missão da cooperativa e sua estratégia, além de recrutar e avaliar o desempenho do gerente geral. Em outras palavras, o conselho de administração participa das principais decisões estratégicas mas não administra o dia-a-dia da cooperativa. A vantagem deste arranjo é a profissionalização da gestão da cooperativa. A desvantagem é o problema do controle: uma vez que os proprietários não participam diretamente da gestão da cooperativa, o gerente geral pode tomar decisões que não necessariamente contribuem para o desempenho, mas que aumentam seus benefícios privados. As cooperativas de sucesso tentam solucionar o problema do controle adotando boas práticas de governança, educando seus diretores e tomando medidas para incentivar a participação dos associados na eleição de diretores e na Assembléia Geral.

Produtores associados comprometidos: A questão da fidelidade tornou-se um desafio para as cooperativas, em particular mitigar o problema do “carona”, ou seja, associados que têm acesso aos benefícios e serviços gerados pela cooperativa mas que não arcam proporcionalmente com os seus custos. As cooperativas buscam adotar políticas de fidelização do cooperado visando aumentar a utilização de seus serviços, a participação na governança e sua adequada capitalização. Considerando a relação comercial entre o associado e a cooperativa, o objetivo é controlar a ação oportunista de associados que somente usam a cooperativa quando esta oferece o melhor preço. No passado, os produtores participavam da cooperativa por falta de opção no mercado ou por razões ideológicas pelo fato da cooperativa ser uma organização democrática e sem fins lucrativos. Atualmente, os produtores encontram-se sob constante pressão para controlar custos e ser competitivo no mercado. Portanto, tendem a utilizar os serviços da empresa que lhes oferecer a melhor proposição de valor em termos de preço, qualidade de produtos e serviços, e retornos financeiros. Outra ferramenta comumente utilizada por cooperativas para aumentar a fidelidade do cooperado é a comunicação sob responsabilidade de uma estrutura especializada no relacionamento com os associados. Esforços de comunicação aumentam a fidelidade do associado, pois este tem a percepção que tem voz e pode exercer influência sobre as decisões da cooperativa. Algumas cooperativas também adota contratos como mecanismo de fidelização do associado. Outro mecanismo de fidelização adotado por cooperativas de sucesso é o estabelecimento de aporte mínimo de capital proporcional à movimentação de cada produtor.

Capitalização adequada: Em cooperativas tradicionais, o acesso a capital de risco é restrito. Os mecanismos tradicionais de financiamento são: taxa de associação do cooperado, retenção de sobras operacionais (lucro) e dívidas contraídas em banco. Em geral, as cooperativas de sucesso buscam novos mecanismos de capitalização para viabilizar investimentos necessários ao crescimento. Em um dos meus trabalhos de pesquisa, descrevi cinco novos modelos de capitalização em cooperativas. Estes modelos de capitalização alteram a estrutura de propriedade e abrem novas fontes de capital para a cooperativa. O resultado é que os produtores participam mais ativamente da cooperativa como fornecedores de capital, mas ao mesmo tempo demandam retorno adequado ao investimento. Desta forma, se sentem donos do negócio e participam mais ativamente da cooperativa.

Apesar da inegável importância das cooperativas no agronegócio brasileiro, demonstrada nas estatísticas apresentadas acima, um grande número de cooperativas em nosso país ainda segue um modelo de negócio pouco adaptado ao ambiente competitivo atual. Nos últimos anos, a estrutura e a organização do agronegócio alteraram-se radicalmente, o produtor modernizou-se, e a competição tornou-se cada vez mais acirrada (pense em BRF, LBR, JBS, Marfrig, Cosan, ADM, Cargill, Bunge, Dreyfus, etc.), mas algumas cooperativas ainda relutam em adaptar-se. Isso se deve ao apego ao status quo de algumas lideranças, à fraca participação dos associados (que em geral não se sentem donos de suas cooperativas) e restrições impostas pela lei 5.764. O resultado é que as cooperativas perdem relevância no mercado. Em alguns casos, são forçadas a vender ativos (plantas de processamento e marcas) para manterem-se vivas. Em casos extremos, fecham as portas e deixam de operar. Ou seja, as cooperativas deixam de atingir seu potencial e ficam restritas a um papel econômico e social bem menor do que poderiam ter. Adaptar a estrutura e a estratégia de nossas cooperativas é condição necessária para que elas possam criar mais valor ao produtor, ao agro e à sociedade e – por que não? – reconquistar um papel de destaque no agronegócio.

 

Via Portal do Agronegócio

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5 ações para melhorar a relação na empresa familiar

Negociações e discussões entre familiares que detêm um negócio são diferentes, segundo John Davis, que falará durante o Fórum HSM Family Business , no ano que vem. Negociar nesse âmbito, segundo ele, não é como negociar entre sócios sem grau de parentesco e também é diferente de negociações existentes entre familiares, fora do contexto empresarial.

Laços emocionais de longa data e relações de dependência pautam a vida dos membros de cada família. “Essas características levam a uma forte lealdade e sensibilidade um com o outro, mas também a uma grande reatividade em suas interações”, comenta Davis, em artigo para publicação da Harvard Business School.

Ele afirma que além da confusão de papeis dentro do ambiente familiar e no cenário empresarial, o que muitas vezes compromete decisões, membros de uma mesma família dividem duas preocupações nos negócios: têm de avaliar o que é bom para a família, mas também para os negócios e acionistas.

Com base na natureza peculiar das relações empresariais em empresas de capital familiar, Davis trabalha cinco passos para melhorar as discussões na companhia:

1.    Analise o espaço de negociação: “No caso de negócios familiares, muitas das partes afetadas por uma negociação, ou que possam ser afetadas, estarão próximas por muito tempo”, explica.

Tende-se a priorizar a vontade daqueles presentes na mesa de discussões, mas empreendimentos de família, mesmo os ausentes têm grande proximidade e poderão se sentir traídos ou enganados . Assim, ele sugere atenção especial às partes fora da mesa e mesmo àquelas fora da esfera de decisões;

2.    Não tente “vencer” o outro lado: Uma negociação bem-sucedida geralmente envolve o ganho mútuo de vantagens. Davis considera que com negócios de família, o ganho mútuo costuma ser uma meta mais frequente e um dos aspectos competitivos desse tipo de empreendimento.

Contudo, ele comenta que muitas vezes disputas familiares são levadas para o âmbito empresarial e que “derrotar” o adversário nesse contexto pode representar perdas para ambos;

3.    Entenda interesses e perspectivas das demais partes: muitas pessoas enxergam as negociações como oportunidades de influenciar e persuadir, para conseguir o que querem, o que pode minar possibilidades de ouvir e de aprender com o outro lado.
“A maioria dos membros familiares, nesse sentido, é bem-intencionada”, explica ele. Isso pode ser usado como vantagem, coloca Davis, pois em meio a boas intenções fica mais fácil perceber e ouvir as necessidades dos demais envolvidos;

4.    Evite focar em um único assunto; identifique e negocie vários assuntos simultaneamente: “reunir a família” não é tarefa fácil. Nesse contexto, Davis considera que, no ato da negociação, deve-se abordar em família o maior número de assuntos possível, buscando aproveitar a boa vontade do comparecimento de todos para resolver problemas e tomar decisões que atendam à maioria;

5.    Discuta interesses, não posições: Davis aqui diferencia as duas coisas – por posição, entende aquilo que cada uma das partes demanda; por interesse, entende as razões por detrás dessa tomada de posição.

Negociações devem abordar e discutir interesses, não posições. Especialmente em família, posições tendem a ser bastante inflexíveis, mas os interesses por detrás delas tendem a ser discutíveis e negociáveis.

Tal medida evita desentendimentos irreversíveis e ao mesmo tempo incita membros e familiares a expor suas razões.

Mesmo que em relações familiares são mais difíceis o processo decisório e a negociação, a existência de laços afetivos e emocionais pode facilitar consensos e resoluções de disputas. Nesse aspecto, Davis considera os cinco passos essenciais para nortearem as relações entre familiares no cenário empresarial.

 

Via Portal HSM

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